Moradores de comunidades pesqueiras próximas de Ajuruteua recebem visita de equipe da Secretaria Municipal de Trabalho e Promoção Social (Semtraps) com apoio servidores da Secretaria Municipal de Aquicultura e Pesca (Semap), na manhã de quarta-feira, 19. A ação teve como objetivo o mapeamento dos moradores dessas localidades isoladas, para que eles possam receber recursos através de políticas públicas. 

A equipe composta por servidores das duas secretarias partiu no amanhecer do dia pelo Furo Grande e a primeira parada foi na praia do Inferninho, comunidade pesqueira composta por apenas 10 ranchos de madeira, a maioria cobertos de palha, onde apenas três residências são ocupadas permanentemente. As outras sete servem apenas de suporte para abrigo dos proprietários, durante a pescaria.
Francisco Feitosa de Oliveira, 65 anos, é um dos poucos moradores do Inferninho, e foi o primeiro a ser entrevistado pela equipe. Francisco contou que vive da pesca, nunca adoeceu, por isso, até esta idade jamais fez uma consulta médica. Francisco é maranhense, criado na Paraíba, e veio morar em Bragança, motivado pelo potencial pesqueiro do município. Com todos os documentos em mãos, Francisco forneceu os dados à equipe e ficou maravilhado ao saber que a partir do cadastramento iria receber assistência social e de saúde, através da Prefeitura Municipal de Bragança. ” Com esses dados cadastrados, poderemos trazer para vocês melhorias através de políticas públicas, a começar por vacinas, preservativos, medicamentos e outras coisas”, explicou Leno Paixão, coordenador de Ações Sociais, da Semtraps. “A gente só tem a agradecer por essa atenção. Sabemos que é nosso direito, mas é a primeira vez que alguém vem oferecer esse tipo de serviço aqui. Já moro aqui há décadas e nunca fomos visitados por equipe da prefeitura”, disse o pescador Francisco.
Outra moradora da comunidade do Inferninho entrevistada pela equipe foi a dona de casa Flávia do Socorro dos Santos. Ela tem 17 anos e casou quando tinha 13. Flávia mora com o marido Edilson Reis Gomes, 31 anos, pescador e quando um dos dois adoecem, a saída é pegar um barco até a comunidade do Trapeval e de lá pegar um carro para chegar até a cidade. “Nem acredito que vai chegar assistência aqui na praia. Moro aqui desde os 13 anos e nunca fomos visitados por ninguém da prefeitura. Essa é a primeira vez. Estou torcendo pra que dê certo. Aqui a gente não tem nem vacina”, argumentou a dona de casa.
Após a visita ao Inferninho, a equipe seguiu para o Paraíso. Entretanto, nesta segunda comunidade pesqueira visitada, nenhuma das 14 casas contam com moradores permanentes. Todas são ocupadas apenas como apoio durante as pescarias dos proprietários, que moram na Vila Sinhá e no Bacuriteua, onde têm acesso à saúde e à assistência social. Com isso, a equipe retornou para Bragança, levando as informações necessárias para que os moradores da comunidade do Inferninho passem a receber ações sociais e de saúde.

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Fotos: Will Alves

 

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